O Sanduíche de Buceta e os Papéis Sociais

“Sanduíche de buceta” é um cult épico que se utiliza de símbolos da sociedade contemporânea para diferenciar papéis sociais e abordar a autodestruição. Em sua parábola sobre a banalização das interações humanas, o diretor escolhe como elementos de escora o sanduíche, análogo à sociedade, e a buceta, que simboliza a deusa criadora.

Análise dos personagens:

PÃO: Exerce o papel social de controle, evidenciado em suas coercivas atitudes de “capturar” a maionese e manter os ingredientes sob sua tutela. Analogamente, os pães representam a moral e os (bons?) costumes, cristalizados por leis, polícias, religiões e família.

CARNE: Simboliza o desejo e o pecado em todas as suas vertentes. Por esse motivo, fica pouco evidente quando observada, já que a moral e os costumes não aceitam que a “permissividade sexual” seja evidenciada. Assim, ainda que a carne (ou o pecado) dê “sabor” à vida, fica oculto pelos padrões sociais e pela “ética”, podendo, no máximo, tornar-se aparente aos olhos da sociedade marginalizada, representada pelas bordas do pão.

BATATA PALHA: Representa a força do coletivo, haja vista a irrelevância que cada uma delas têm individualmente e a importância que adquirem coletivamente. Em nossas atribuições cotidianas, cada um de nós é uma batata palha que, juntas, representam o coletivo, dando forma ao tecido social e nos identificando em nossos grupos sociais.

MAIONESE: Evidente representação do inconsciente coletivo, do etéreo, dos maneirismos sociais e das regras não verbais. A maionese é onírica, é nosso id coletivo, é a simbologia do ininteligível. Por isso, ainda que a maionese seja associada ao prazer, é também relacionada às tradições, sendo sua ausência mais significativa que sua presença e seus riscos mais “humanos” (psicológicos) do que relevantes. A maionese é nosso lado obscuro, incompreensível e instintivo.

BUCETA: Deusa criadora, responsável pelo destino da sociedade (sanduíche). Aqui, há também alusão direta ao “surgimento” humano, onde o objeto de prazer e de amor se confundem na figura da genitália feminina. Além de “mãe” da humanidade, a buceta é sua perdição: dela se origina o “tempero” do sanduíche social, responsável pela extinção da humanidade, paradoxal e ironicamente.

Considerando-se que o sanduíche (sociedade) é devorado pela deusa criadora, observamos que o autor reflete sobre os rumos da humanidade. O senso comum confia que a existência é fruto dos desejos divinos e suas leis, e há consenso sobre grande parte delas. Porém, o final criado pelo autor sugere que estamos longe de desvendar os verdadeiros desígnios da deusa, já que demonstra que são as percepções sobre as vontades que a sociedade supõe que ela (deusa) tem, e não suas aspirações em si, as reais responsáveis pelo fim da humanidade, como num persuasivo e contraditório absurdo lógico.

Nós, a sociedade, nos destruímos pela imposição das ilusões que criamos sobre anseios divinos; produzimos a fantasia da perfeição e, por ela, abdicamos e sucumbimos.

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2 Comentários

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2 Respostas para “O Sanduíche de Buceta e os Papéis Sociais

  1. Udney

    OBRIGADO ARTUR POR ISSSO ASS UDNEY AMOR ETERNO

  2. deusa criadora

    me deu até fome ler algo tão estimulante.

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