A mocinha da ponte

Uma garota com seus 19, 20 anos atravessa a ponte.

Seus predicados físicos, muito modestos, não chamariam a atenção de ninguém à primeira vista: Olhos negros apontando para baixo, cabelos castanho-claros naturalmente ondulados, uma regata listrada sobre um tronco magrelo e sem jeito. Uma calça jeans de cintura baixa, com a barra arrastando no chão. Sandália de tiras brancas, apertando a parte de cima do pé em dois lugares.

Devia estar pensando na vida, pois vinha cabisbaixa; vinha a passos miúdos, como se os contasse.

O sinal abre, os carros passam. Numa Fiorino velha estão dois homens. O motorista posiciona o automóvel ao lado da nossa heroína, enquanto o colega põe a cabeça para fora da janela.

“Nossa Senhora, hein?”

O carro passa. Os carros passam. As outras pessoas passam. A moça sorri largo, de orelha a orelha, sem a mínima pretensão de disfarçar a felicidade que enchia-lhe as entranhas.

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3 Comentários

Arquivado em @perereco

3 Respostas para “A mocinha da ponte

  1. Ela era tão comum que uma criança passando na rua apontaria o dedo e diria: “Nossa, como essa moça é comum.”

  2. Não conheço uma mulher sequer que sorria com um assédio babaca desses. Muito pelo contrário, o que mais ouço são reclamações!

  3. anônimo

    talvez eles estavam tirando onda dela, só pra deixar ela feliz ou zuar mesmo, já vi muito disso. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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